segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nós, no mundo

Somos muitas, muitas pessoas. É triste, bastante triste, mas vive-se. Somos tantos, e tão diferentes, que é diferente lermos as páginas escritas por diferentes pessoas. As pessoas não se entendem umas às outras, perderam o poder de ler expressões, e os mal-entendidos multiplicam-se pelo chão da cozinha sujo, onde houve a mais recente discussão. Mais do que não se entenderem, as pessoas não querem compreender-se.

Não digo que por vezes não sucumbo há tentação de julgar os outros, como se não fossem também pessoas, mas não passo a vida a julgar os outros, e se passo, peço desculpa. O que é uma pessoa má? Quando é que alguém é arrogante ou tem a mania? Como é que se julga isso? Porque se por um lado compreendo que o Saramago seja considerado arrogante, não vejo de tudo a arrogância no Lobo Antunes, por exemplo... Acho-o uma pessoa, que por ser verdadeira, por não ser falsa, por dizer o que tem a dizer fica com uma imagem dessas. E são destas coisas que criam as imagens que as pessoas têm umas das outras. E são destas coisas que criam os mal-entendidos, as zangas, os ódios, os sofrimentos, as guerras.

Porque ódios nascem de mal-entendidos, e por vezes de maldade pura, mas de mal-entendidos maior parte dos ódios nascem. As pessoas não querem tentar compreender as outras: querem falar mal, querem ter motivos para não gostar, e quando vêm algo de que possam falar mal, aproveita-se logo. Sou sincero, faço isso muitas vezes, mas logo a seguir penso, critica indevida. Porque é muito difícil falar mal de uma pessoa. Pode-se falar mal do que ela faz, mas é complicado falar mal de uma pessoa. Só é possível fazê-lo quando há falta de compreensão.

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