domingo, 22 de novembro de 2009

noite fora #4



vejo a minha vida ser escrita numa pequena agenda, a que eu chamei de caderno, por motivos poéticos. a tinta começa a acabar. ...filmes de treta na TV é no que dá... vejo-me aqui impelido contra o grande saco de seres que eu sou... em diversos formatos: canto, escrevo, soletro, até vou dando uns pezinhos de dança, e finjo que realmente me agrada. e chega a agradar. esta vida não é mais minha que do vento que passa lá fora. não sei porque disso isto, nem o que quis dizer com isso, sei que fica bonito dizer, e eu vou sendo bonito, a ser o que nunca fui lá muito bem.

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estou cansado, cheio de sono, ainda assim dei-me ao trabalho de vir aqui de propósito, para escrever umas palavras que finjo me saírem das mãos como se cera fosse (Cera??? Sim, cera..). com que objectivo. com algum certamente. com que objectivo um artista escreve, ou pinta, ou canta, ou faz outra coisa qualquer enquanto dança o vira. (não sabia que dançava. só Às vezes quando ninguém vê). talvez em busca de algum reconhecimento público, talvez em busca de algum prazer do momento, talvez em busca de algo que se esconde por detrás dos sentimentos, talvez porque me apetece uma perninha de pito frito, mas não sei que mais fazer. não sei porque estou aqui a me armar em esperto, a fingir que não tenho piada nem disposição para continuar a viver, só sei que me sinto bem assim, e por mim, continuava a escrever até o Sol se pôr... ou nascer, ou lá o que ele faz pela manhã.

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páginas soltas: vida. é tudo o que tenho.... com algum tipo de desejo gosto de marcar a minha alma em papel, como se de uma folha de uma videira (ou de outra árvore qualquer) se tratasse. o perfeito está longe, algures no meio da roupa suja, por lavar. o sentido da vida mantém-se incógnito. e eu quero lá saber. estou com sono, pouco me interessa se sou ovelha, porco ou avestruz... mas quero muito ir para a cama... mas estou aqui tão bem... e a preguiça prega-me ao sofá. quero marcar a preguiça numa folha, a preguiça e o resto da minha alma, como se fosse mesmo minha... tenho essa ânsia, e ela não desaparece, sempre com o seu nariz empinado. passa um século e continuo a ser nada: ninguém leu o livro que escrevi. que serei então? pó de nada? pó de vida? pó de arroz? por isso vou rezando. por viver quanto melhor possível, e quanto mais. e vai-se vivendo, ou ia-se que estou a começar a ter fome...

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