terça-feira, 11 de agosto de 2009

Corre-me nas veias essa dependência



Corre-me nas veias, como a necessidade de droga corre nas veias dos toxicodependentes, ou a de tabaco nos fumadores, ou a de álcool nos alcoólicos. Corre-me nas veias em direcção ao coração, onde o prende, e me faz ser diferente do que sempre fui, do que quero ser. Começou por me acontecer sem eu o querer, e com os anos fui-me tornando num dependente.

Tudo começou quando há uns anos, comecei a não ter que fazer nem com quem falar. Passei quase uma semana em casa, fazendo muito pouco. Mal eu sabia que com os anos, dois ou três, eu me ia transformar num bicho que desistiu de buscar companhia para tudo, porque as coisas fazem-se melhor sozinhas. Tudo começou como uma dor enorme, para qual não estava preparado. Hoje, a solidão é uma necessidade minha, para me encontrar, e para ser eu.

Mesmo quando estou a dar uma volta com os meus melhores amigos, eu não estou ali. Estou num outro lugar, bem mais alto do que poderia desejar. De vez em quando venho lá de cima para intervir cá em baixo, quando há uma conversa interessante... Já tinha falado sobre a importância da solidão para o conhecimento e para o auto-conhecimento, e de facto a solidão, segundo essa perspectiva, faz-me bem. Mas por vezes pergunto-me se me fará muito bem à saúde mental.

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