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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Como se não houvesse amanhã



Somos sempre tão previsíveis, nós, seres humanos. Somos seres assustados que buscam uma falsa felicidade numa estabilidade de plástico. Somos óptimos a seguir, péssimos a dar os nossos próprios passos, a fugir aos caminhos que os outros fazem. Cada ser humano é único, porque haveremos todos de seguir caminhos iguais, ou tão semelhantes? Temos medo em dar um passo maior que a perna. Todas as nossas decisões (aquelas que realmente importam) são baseadas não na nossa vontade, não no nosso instinto, mas numa razão que teve origem numa necessidade do ser humano de sobreviver o máximo e o mais facilmente possível. Pensamos todas as consequências, queremos uma estrada segura, uma estrada sem percalços, lisa.

Porque não podemos viver como se não houvesse amanhã? Viver sem medo das consequências do que queremos fazer, mas sermos suficientemente inteligentes para saber o que queremos ou não fazer, ou o que vale ou não a pena. O medo de falhar, o medo de ficar mal visto é algo que me atormenta desde que sou pequeno. Tantas são as coisas que quero fazer, mas que por falta de apoio, me resguardo num canto, com medo. Adoro superar-me, em todos os sentidos, e fazer coisas que eu racionalmente não acredito ser capaz, mas que lá no fundo há algo a me dar força, é a maior prenda que posso receber.

Por vezes sinto-me algo sozinho no mundo. Sei que não sou o único com vontade de fazer mais, e há mesmo quem consiga fazê-lo, e talvez um dia de uma qualquer forma, eu o consiga também, mas o facto é que de uma forma geral, todos os que conheço só passam por portas já abertas, não são capazes de as abrirem. Deixam-se guiar e não guiam ninguém. Não tenho nada contra pessoas que se deixem guiar, como disse antes as pessoas são todas diferentes, mas quando o não fazem porque têm medo, penso que posso dizer que está algo errado.

Adorava conseguir viver como se não houvesse amanhã, não como se não quisesse que houvesse amanhã, o que é diferente. Não estou aqui a defender os excessos nem nada que se pareça. Penso que não devemos basear a nossa vida no futuro, devemos sim tentar hoje e amanhã. Por vezes o medo de falhar rouba-nos a vida de hoje.

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