segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A irónica relação massas-políticos



Já há muito que não falo de política, até porque tenho estado um pouco distraído desse mundo: as campanhas eleitorais raramente são interessantes. Hoje, enquanto via o telejornal, deparei-me com duas notícias que de forma diferente, achei curiosas: o senhor primeiro ministro português congratulava-se dos resultados na educação, enquanto o Presidente Obama perdia popularidade por tentar implementar a mais importante medida dos últimos 20 anos para os EUA.

O senhor José Sócrates, que como já devem ter reparado é o meu ídolo, é sem dúvida o maior político português, ou melhor, o maior comunicador da política em Portugal. Ele, com meia dúzia de medidas e com meia dúzia de palavras, consegue fazer com que as pessoas acreditem no que ele diz. Eu sou estudante, e sei perfeitamente porque é que os chumbos diminuíram e porque é que mais alunos completaram o nono ano. Em primeiro lugar devo dizer que a avaliação dos professores é importantíssima para isto: os professores são tanto melhores quanto menos alunos chumbarem, e, obviamente, se chumbarem quem não sabe para passar são penalizados. Em segundo lugar criou cursos em que os alunos têm tudo pago e só têm de marcar presença, em aulas de exigência 0. Alunos que tiravam 8 a Matemática, em cursos desses têm 20.
Eu acho que realmente, nem todos os alunos devem ser obrigados a completar o ensino superior, e que deve haver cursos profissionais, mas que não sejam desenhados para os menos capazes, mas sim para as profissões que precisam de menos formação. Agora, que a exigência deve ser mantida claro, só os conteúdos é que devem ser diferentes em relação aos outros cursos.

E assim as pessoas pensam que tudo está melhor, mas na verdade, o número de alunos aumentou, mas a qualidade diminuiu imenso. E assim lá vai José Sócrates enganando as pessoas.



Já nos EUA passa-se uma situação, que eu vejo como sendo oposta. Enquanto em Portugal o primeiro ministro colhe créditos por uma situação que, de positiva nada tem, nos EUA o Presidente Obama é criticado por tentar melhorar e muito o nível de vida. Obama quer, tal como Clinton e a sua administração, implementar um sistema nacional de saúde. Isto é necessário para uma maior protecção social, porque neste momento, se alguém adoece lá está perdido, se isso não estiver incluído no seu seguro. Que os republicanos e os media não estejam a favor desta medida, é normal: há muito dinheiro por trás do sistema de saúde de seguros e os interesses particulares falam mais alto que os interesses do país. O que é imcompreensível é as pessoas estarem contra esta medida, só porque não querem pagar mais um imposto. Isto é no mínimo ridículo, ou muito estúpido da parte destas pessoas.

Aqui está a ironia das coisas: quando os políticos fazem o que devem, vão abaixo; quando fazem por ganhar votos toda a gente aplaude.

2 comentários:

Austeriana disse...

De facto, o sucesso escolar aumentou, mas sucesso não é sinónimo de aquisição de conhecimentos,nem de melhor preparação para a vida profissional. O que se passa é que o sucesso aumentou, porque os programas das várias disciplinas foram reduzidos, os professores não têm que os cumprir e nos cursos CEF e EFA a maior parte das áreas disciplinares não têm conteúdos programáticos mas "orientações". Sei de casos em que estas orientações se cingem a duas linhas (na área de Inglês Técnico para o curso de Técnicos Comerciais, por exemplo) para serem desenvolvidas em 80 horas lectivas (quem é que não consegue assimilar conteúdos inscritos em 2 linhas?). Dificilmente algum aluno chumba. Para isso acontecer, a trabalheira para provar a falta de conhecimentos é uma imensidão de checklists com competências adquiridas e por adquirir; medidas tomadas e por tomar, pelos professores; etc... E mesmo quando os docentes cumprem estes requisitos todos (alguns nem o podem fazer por falta de tempo!), a proposta de retenção tem que ir a Conselho Pedagógico e, na maior parte das vezes, este orgão considera que o aluno deve transitar: a lei diz que só em casos de força maior, devidamente justificados, é que um estudante pode ficar retido.
Quanto à resistência das pessoas às políticas de Obama, também me parece estranha mas talvez os contornos do imposto acrescido não estejam ainda suficientemente claros.

jP disse...

os americanos, para nao pagarem um imposto extra, preferem confiar no sistema de seguros, que, curiosamente, também têm de pagar... é que as coisas não acontecem só aos outros