quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O voo da alma



Ontem, enquanto fazia a cama, encontrei uma pena entre os lençóis. Castanha clara e pequena. Achei o caso muito estranho. Como foi a pena lá parar? Bem no meio dos lençóis? Tão frágil e pequena. Parecia quase uma folha pequena, ou um frágil trevo da sorte.
Deitei-a na sanita, e vi-a desaparecer por entre o turbilhão de água que ali foi criado. Almocei, lavei os dentes e fui ver televisão. Fiquei lá dez minutos: os programas eram péssimos. Fui para o meu quarto, onde baixei a persiana e fechei a porta. Agarrei na minha guitarra e comecei a tocar uns acordes soltos. Comecei a criar uma estrutura sólida, e comecei a cantar.

comecei a cantar com a alma, a cantar-me a mim. comecei com grandes frases de significado complexo, e acabei com sílabas, sons e uivos. aí comecei a sentir uma forte comichão na perna. olhei para ela e vi-a. vi uma pena que surgia frágil e pequena, igualzinha à que encontrara de manhã.
eu estou a aprender a voar


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