quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2010 em álbuns - 5. Crippled Black Phoenix - I, Vigilante



de todos os projectos influenciados pelo rock progressivo dos Pink Floyd, este é um dos meus favoritos. Crippled Black Phoenix é um supergrupo britânico cujos membros vêm de bandas como Mogwai, Iron Monkey, Electric Wizard e Gonga. a banda, que se formou em 2004, lançou 4 álbuns, 3 dos quais entre 2009 e 2010. um deles este I, Vigilante.

poderoso, épico, este álbum move-se em torno de um conceito que ronda a justiça após a injustiça (talvez daí o vigilante do título), como a bonança após a tempestade, socorrendo-se de factos históricos (que eu desconheço) na construção dos papéis líricos. as letras, maioritariamente duras, pouco flexíveis e contidas, libertam-se em determinados pontos da música levando atrás de si toda a música, e a voz, obviamente. é esta harmonia que nos desarma. escusado será dizer que o trabalho das guitarras está absolutamente bem conseguido, assim como a bateria e o baixo. este último, em algumas linhas, assume contornos inesperados que fazem toda a diferença. há ainda piano, orgão e diversas cordas que funcionam na perfeição, conferindo uma voz épica ao álbum. é o caso de Bastogne Blues, que apresentando alguma influência oriental, é um épico que parte da ideia de um jovem nazi morto cuja imagem ia sempre atormentar, à noite, o narrador. muito forte e intempestiva aparece We Forgotten Who We Are, que constata a falta de interesse que existe em relação à história, com a bonança de Fantastic Justice, que remete para um futuro, ou presente, em que as injustiças findarão, ou pelo menos para essa esperança.

o álbum abre de uma forma desarmante com Troublemaker, que com um refrão aditivo, perfeito e de efeito duradouro, se torna a faixa mais poderosa do álbum. a explosão que ocorre no refrão, permite tudo isso, com baixo, guitarra e voz a puxarem todos para o mesmo lado.

apesar de não tão frequentemente como outras bandas, os CBP recorrem ainda a alguns clichés do rock progressivo, que só os prejudica, pois eles, sendo uma banda de rock progressivo , abarcam muitas mais influências das outras experiências dos músicos que a constituem. talvez por causa disto eu considere que a música Of a Lifetime está a mais no álbum. talvez seja necessária para o conceito do álbum, mas musicalmente para além de não se assemelhar, não está ao nível das faixas anteriores. pelo menos para os meus ouvidos. e só por isso este álbum não está uns lugares acima.

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