quinta-feira, 31 de março de 2011
roger waters| tempo para pensar
a obra-prima de 1984 de Roger Waters, The Pros and Cons of Hitch Hiking está quase ao nível do nome Pink Floyd. reflectindo sobre uma viagem numa crise de meia-idade, foi apresentado aos restantes Pink como sugestão para sucessor do Animals, juntamente com o The Wall. este último foi o escolhido. destacando a guitarra de Eric Clapton, este álbum mantém as letras incríveis, o baixo mágico e a voz dolorosa (no bom sentido) do Roger. um álbum a ouvir, cuja sonoridade ronda a dos dois últimos da era Waters nos PF.
é como quem diz:
a ouvir,
musica,
pink floyd,
roger waters
sexta-feira, 25 de março de 2011
mogwai| fragilidade
esta música do álbum de estreia dos Mogwai transmite-me isso mesmo: fragilidade. é provavelmente a música mais frágil desse álbum, uma das poucas que inclui letras extensas. é uma depressão no meio de um mar de força e poder. é a beleza que extravasa do excelente Mogwai Young Team.
quinta-feira, 24 de março de 2011
politiquices
várias pessoas reagiram de várias formas diferentes à demissão do governo. há quem tenha festejado, há quem tenha ficado assustado, eu fiquei na mesma, mas com uma ligeira satisfação. se por um lado esta mudança não serve de grande coisa a nível político, a nível psicológico foi a notícia do ano, porque muita boa gente não suporta o senhor engenheiro. confesso que vou ter saudades da lábia dele e da sua incompetência, consciente ou não, para governar o país de forma justa e equitativa. de qualquer das formas o pior que acontece ao país é ficar na mesma, continuar neste limbo para sempre. sim, porque existem duas hipóteses bastante simples para a crise: a reascensão ou a queda. à parte isso o PS faz uma oposição muito mais eficaz que a do PSD e tem mais boys também. bem que vão disfarçando a coisa com solidariedade do estado mas enfim... podia dizer mais alguma coisa, mas estou farto de política. saturado vá...
pluto| as pessoas são frutos que apodrecem
antes de comentar a paisagem política actual, que pouco tem de surpreendente, deixo aqui uma sugestão de audição que aborda a mudança da personalidade dos homens, a forma natural como eles se libertam de ideais, de sonhos, à medida que se vão apercebendo de que estão sós no mundo, por mais amigos que tenham. do magistral Bom Dia de 2004.
é como quem diz:
a ouvir,
musica portuguesa,
pluto
quarta-feira, 23 de março de 2011
ainda sobre mudar a educação
tem-me destruído o cérebro
estou farto de seres
farto da linguagem
frustrado
sujo
isolado
não me apetecia mesmo nada peixe
estou farto de seres
farto da linguagem
frustrado
sujo
isolado
não me apetecia mesmo nada peixe
sábado, 19 de março de 2011
alma
o que é a alma? a alma é um peixe com asas, uma epidemia, um poste nº13, um extintor nº13, uma bicicleta, uma passadeira, uma descida, uma rua, uma padaria, um restaurante italiano, uma palavra, uma música, uma decisão, um erro, um desastre, um furo na alma e tudo igual, tudo resto de um passado que nunca chegou a ser.
a alma não é mais que uma construção do intelecto, para disfarçar a enorme inutilidade e falta de valor do ser humano. a alma é uma manifestação do seu ego. porque nós somos importantes. chamamos alma ao sistema central que nos tenta manter vivos. é uma maldição. uma prodigiosa maldição.
a alma não é mais que uma construção do intelecto, para disfarçar a enorme inutilidade e falta de valor do ser humano. a alma é uma manifestação do seu ego. porque nós somos importantes. chamamos alma ao sistema central que nos tenta manter vivos. é uma maldição. uma prodigiosa maldição.
evols| sinfonia visual
white . evols from evols on Vimeo.
um dos mais interessantes álbuns do final de 2010 é o homónimo destes evols (site). banda que estimula com música as dimensões visuais do cérebro. que se veja o poder das imagens do vídeo e das fotos do site deles (todas de um dos membros da banda). que se veja ainda a forma como a música deles sugere paisagens, personagens, acções. veja-se ainda algumas actuações ao vivo. eles são uma sequência de imagens, um filme, uma banda sonora. são uma das grandes revelações da música portuguesa.
é como quem diz:
a ouvir,
evols,
musica portuguesa
terça-feira, 15 de março de 2011
mudar de educação
creio que já vi um vídeo deste senhor no Bicho-Carpinteiro. o discurso apresenta uma perspectiva notavelmente interessante sobre a educação. aqui com um brilhante acompanhamento visual.
segunda-feira, 14 de março de 2011
(continuando o post anterior)
por outro lado não há nada mais gratificante que ultrapassá-los com pujança.
domingo, 13 de março de 2011
13 é o número da sorte do Charlie Brown
sábado, 12 de março de 2011
Joel and Ethan Cohen| Fargo| 1996
sexta-feira, 11 de março de 2011
a revolução dos the gift
completamente diferente de tudo o que os the gift têm feito, surgem estas músicas, mais psicadélicas, mais experimentais, mais pop, menos rock fm. depois da imagem relativamente original que escolheram para capa, depois da distribuição "à la radiohead" dão mais um passo interessante ao atribuírem a música a dois actores, acontecimento que já deu notícia lá fora.
voltando à música, ainda não tenho uma opinião muito bem formada. gostei dos coros. gostei de alguns pormenores instrumentais. não sei porquê, mas a potente voz da ... (toda a gente sabe, a mim escapou-me) enerva-me um pouco. para já vale a pena ir ouvindo. esta merece nota positiva, as restantes logo verei.
é como quem diz:
a ouvir,
musica portuguesa,
the gift
quinta-feira, 10 de março de 2011
sei lá o que digo
o tempo passa sem dar contas a ninguém. as contas dão-se a ele mas perdem-se no irrelevante. não é nisto que penso enquanto escrevo. escrevo palavras, penso palavras, pouco interessa se são iguais ou reais. o importante é respeitar o ritmo, respeitar a melodia. o importante é escrever, não porque interesse para merda alguma o que escrevo, mas porque escrever é mais do que não escrever. assim como pensar é mais do que não pensar. nem só de mais se faz a vida. não digo isso. não digo nada que não sei no que raio penso.
the national| anyone's ghost
uma pequena amostra do excelente álbum High Violet, que estou a descobrir já tardiamente. foi considerado um dos melhores álbuns de 2010. os National vêm a portugal, se não me engano, em maio.
é como quem diz:
a ouvir,
musica,
the national
quarta-feira, 9 de março de 2011
le miserable - a evolução do projecto
o projecto está na mesma. músicas novas há, mas com uma estrutura igual. o vídeo que se segue demonstra isso mesmo. gravado em Lisboa, chama-se falhanço precisamente porque foi um grande falhanço: não consegui aproveitar o potencial que a música tinha. por isso, deixei-a assim mesmo, sem sequer ajustar o ritmo. ainda assim não é feia, só um pouco desajeitada...
nos próximos tempos, probabilidade de haver novidades é relativamente pequena. ainda estou a trabalhar a abordagem que um projecto desta natureza exige. com pouco sucesso diga-se de passagem...
nos próximos tempos, probabilidade de haver novidades é relativamente pequena. ainda estou a trabalhar a abordagem que um projecto desta natureza exige. com pouco sucesso diga-se de passagem...
sons de vez 2011| dead combo
fundindo todo um conjunto de diversas influências obtemos o magnífico som dos Dead Combo. do lote de influências destacam-se o fado e os blues. tó trips e pedro gonçalves, uma guitarra e um contrabaixo, são suficientes para nos inserir no ambiente sombriamente cinematográfico dos Dead Combo, onde se sentem as ruas de lisboa e de todo o mundo. aclamados internacionalmente, são a voz da meia-noite, da melancolia e da saudade. são o som do bairro alto e de todos os bairros lisboetas.
sobre a revolução e os oportunismos
"Nós somos malucos a cantar e a gritar mas não aspiramos ao poder. É o que nos distingue de outros que possam aparecer a gritar. É com esses que as pessoas têm de ter cuidado e os Homens da Luta também servem para avisar sobre isso."
Jel no i
Jel no i
terça-feira, 8 de março de 2011
Alejandro González Iñárritu| Biutiful
cru.brutal. duro. perturbante. belíssimo. Biutiful é um filme lindíssimo na mais miserável dimensão da palavra, uma negríssima visão da vida e da morte. a performance de Javier Bardem é avassaladora, merecedora de um óscar. e depois, depois há as imagens e a música, e os ruídos e os diálogos, e as traças e o anel, e a sujidade e a podridão, brilhantemente coordenados por Iñarritu e direccionados para salas de cinema à antiga: só aí a experiência pode ser vivida ao máximo.
Biutiful é cinema, é um exercício dos sentidos. mais do que uma história transmite-nos sentimentos. olhando para os candidatos a óscar de melhor filme, não lhes fica nada atrás, aliás...
Biutiful é cinema, é um exercício dos sentidos. mais do que uma história transmite-nos sentimentos. olhando para os candidatos a óscar de melhor filme, não lhes fica nada atrás, aliás...
domingo, 6 de março de 2011
uma rua. um banco de jardim que parece uma zebra. uma criança que brinca com um hipopótamo apetrechado com uma hélice. um candeeiro que ilumina pouco. uma mulher que brinca com uma roda. um homem que jaz num mar de sangue, submerso pela roda, pela mulher, pela criança, pela escuridão, pela zebra.
sábado, 5 de março de 2011
jennifer gentle| circles of sorrow
senhores de um rock psicadélico admirável, os jennifer gentle encontram nesta circles of sorrow uma sonoridade mágica, de uma outra dimensão. do notável álbum Valende (2004, SubPop), que viaja entre sonoridades ora mais coloridas, ora mais melancólicas. parafraseando a faixa final: "nada faz sentido" neste álbum. por isso é tão importante ouvi-lo, vivê-lo.
é como quem diz:
a ouvir,
Jennifer Gentle,
musica,
psicadelismo
quinta-feira, 3 de março de 2011
pertencer ao que não pertence mais ninguém
pertencer é uma das mais básicas condições humanas. uma daquelas necessidades que nos influenciam de tal forma que chegamos mesmo a abdicar das nossas mais profundas crenças. no filme Human Nature de Charlie Kaufman uma das protagonistas abandona a sua natureza selvagem, tornando-se mesmo ajudante de um laboratório, por amor. o amor é essa manifestação máxima da necessidade de determinada pessoa. mas nem sempre precisamos de uma só pessoa. às vezes é respeito, outras reconhecimento, outras carinho, outras simples olhares, mas essa necessidade de contacto é das que mais se manifesta. e arrisco-me a dizer que se manifesta em todos os seres humanos.
para pertencer é necessário abdicar-se da identidade. é um estorvo à comunicação muito grande. opiniões fortes, posições vincadas, pouca tolerância. é isso que faz a identidade e é isso que desfaz as relações interpessoais. noutro filme de Kaufman, Being John Malkovich, vemos como uma personagem assume a identidade de Malko de forma a poder enamorar-se com a mulher por quem estava obcecado. nem todas as as relações humanas precisam de abdicação. mas quando as pessoas são mais duras, mais autênticas, torna-se complicado estabelecer-se um diálogo.
a massa, esse ser enorme do qual nós somos pequenas células, precisa que nós deixemos de ser nós. a existência não faz qualquer tipo de sentido, pelo menos a nossa. pode fazer, se formos nós próprios. mas aí, estamos a destruir-nos, a lançar-nos ao vácuo da velha e miserável solidão.
para pertencer é necessário abdicar-se da identidade. é um estorvo à comunicação muito grande. opiniões fortes, posições vincadas, pouca tolerância. é isso que faz a identidade e é isso que desfaz as relações interpessoais. noutro filme de Kaufman, Being John Malkovich, vemos como uma personagem assume a identidade de Malko de forma a poder enamorar-se com a mulher por quem estava obcecado. nem todas as as relações humanas precisam de abdicação. mas quando as pessoas são mais duras, mais autênticas, torna-se complicado estabelecer-se um diálogo.
a massa, esse ser enorme do qual nós somos pequenas células, precisa que nós deixemos de ser nós. a existência não faz qualquer tipo de sentido, pelo menos a nossa. pode fazer, se formos nós próprios. mas aí, estamos a destruir-nos, a lançar-nos ao vácuo da velha e miserável solidão.
é como quem diz:
Charlie Kaufman,
reflexão,
sociedade,
vida
cortes e energia
parece que agora a educação, tal como a cultura sempre tem servido, serve para equilibrar as contas da nação. enquanto isso a edp faz mil milhões de lucros que irá distribuir pelos accionistas. já nem falo do escandaloso monopólio e controlo do mercado por parte da edp, mas pelo menos podiam começar a pagar os dezasseis mil milhões que devem ao estrangeiro.
política para iniciantes: o que interessa são cortes. não interessa onde. aliás, quanto mais importante for o sector melhor. e depois ainda despachamos a culpa para quem no-los pediu.
política para iniciantes: o que interessa são cortes. não interessa onde. aliás, quanto mais importante for o sector melhor. e depois ainda despachamos a culpa para quem no-los pediu.
terça-feira, 1 de março de 2011
modest mouse| this is a long drive for someone with nothing to think about
e assim começa esse álbum perfeito.
é como quem diz:
a ouvir,
modest mouse,
musica
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