terça-feira, 1 de junho de 2010

Actor das causas diárias


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Eu, enquanto ser humano, devo dizer que sou susceptível à sociedade à minha volta. Não me deixo influenciar directamente, mas tenho tendência em representar o que sou. Forçar movimentos, forçar discursos, etc. Enquanto isto me sucede, vou-me apercebendo de que me vou tornando nessas representações, nessas personagens que crio e fecho num tempo determinado. Busco a naturalidade em tudo o que faço. Busco a liberdade. É isso que tento fazer sempre que faço, o que quer que seja. É nesta minha busca que me perco por entre quem sou, quem quero ser e quem quero mostrar ser.

Sou o quê afinal? Responde-me só a isso... Sou quem sou? Quem quero ser? Ou o que mostro ser? Talvez a ponte de tédio que vai de mim para o outro ... Perco-me por entre os mares da representação, da essência e do sonho. Será assim tão difícil ser natural? Serei natural quando tento mostrar algo que não sou, mas que afinal talvez seja? Pão com chouriço e talvez seja, porque toda a gente assim. Eu, tu e o outro, por trás daquela fotografia, olhando o avô que chorava. Ninguém percebeu, mas naquele momento ele foi natural, e quis mostrar que o era. Actor das causas diárias, representação esquemática de um homem perdido na Terra.

2 comentários:

lakhsmita indira disse...

ah yes, pink floyd rocks.

kiko disse...

Muito bom...é difícil não pertencer à sociedade em que estamos inseridos...a questão é mesmo essa: evidenciar a diferença ou representar?


cumps