sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Joel and Ethan Cohen| Um Homem Sério



os irmãos Cohen têm, nos últimos anos, feito, de forma regular, alguns dos melhores filmes da actualidade. com um duro No Country For Old Men em 2007, um confuso e esquizofrenicamente divertido Burn After Reading em 2008, um existencial A Serious Man em 2009 e o último True Grit, que ainda não vi, em 2010, conseguem aquilo que Woody Allen, por exemplo, não consegue: lançar um filme por ano com uma qualidade elevadíssima e a um nível tal de perfeição, que só mesmo duas pessoas o conseguiriam fazer, em prazos tão apertados (note-se que Woody Allen desde de 77 que lança um filme por ano, enquanto que os Cohen só entraram neste ritmo muito mais recentemente).

em A Serious Man os Cohen contam a história de um professor universitário que vê o seu casamento, o seu emprego, a sua condição moral, assim como a financeira, e a liberdade do seu irmão em risco, ao mesmo tempo. é neste momento que Larry Gopnik (magistralmente interpretado por Michael Stuhlbarg) entra em desespero com o ritmo alucinante com que todos os problemas surgem e crescem, procurando respostas na religião judia, a qual sempre fez por respeitar. um filme sobre fé e esperança, que acaba de uma forma absolutamente inesperada. atingindo várias vezes um registo cómico com a indiferença e incompreensão que as pessoas têm para com Larry é um filme negro, muito negro.

as interpretações são brilhantes, a música deambulando sobretudo entre o mais conhecido tema dos Jefferson Airplane e uma composição de Carter Burwell é perfeita e a imagem maravilhosa. a realização é perfeita assim como o filme é irrepreensível.


"The Uncertainty Principle. It proves we can't ever really know... what's going on. So it shouldn't bother you. Not being able to figure anything out. Although you will be responsible for this on the mid-term."

3 comentários:

Fábio Silva disse...

Estava aqui a deambular pelo teu blogue, e deixa-me dizer-te que gostei do que li. Humor e bom gosto, admiro.
Não comentei aqui simplesmente porque sim. Tirando um filme ou outro, gosto bastante da obra destes dois cineastas. Este filme (com um trailer mágnifico, sublinhe-se) está muito bem conseguido. Conseguiram transformar um argumento a meu ver pobre, em algo de muito boa qualidade.

Inês Guedes disse...

O teu blog é muito fixe.
Peço desculpa se a minha opiniao for, de facto "miseravel" (ahaha) mas, o que queria dizer sobre este filme dos Coen é simples... Gostei das prestações, achei estranha a forma como terminou e não acho que seja o melhor filme dos Coen. Mas eu tenho um problema com estes irmãos. Acho que foi desde que o There Will Be Blood perdeu para No country :)
Continua!

joao amorim disse...

obrigado a ambos!

Fábio, concordo, penso até que a abordagem foi de tal forma bem feita, que esse argumento acabou por dar força (ou antes beleza) ao filme.

Inês, também estranhei o final (se bem que normalmente, os finais estranhos são os meus favoritos). isso é sempre assim... eu também demorei algum tempo a gostar do slumdog billionaire...

cumps