domingo, 18 de outubro de 2009

A impotância de bem falar a língua materna



Nós, na nossa vida diária, temos de comunicar e interagir com uma enorme quantidade de pessoas, pelos mais diversos motivos. Se nalgumas destas interacções não há grandes males se houver um mal-entendido, noutras a subtil falta de um acento pode fazer toda a diferença. Por isso é importante falar bem a língua materna: porque é nela que comunicamos mais frequentemente, e sobre as quais se debatem os mais diversos assuntos que têm uma enorme importância. O caso mais evidente será provavelmente os debates para eleições, onde há uma escolha a fazer, e onde, muitas vezes, há claros mal-entendidos. Os grandes políticos, aqueles que normalmente estão envolvidos em maior número de debates e com maior relevo, têm habitualmente uma grande formação e preparação linguística e grandes equipas por trás. Ambos os factos permitem a estes políticos manipularem aquilo que dizem e que os outros dizem, sem da forma mais benéfica para eles. Naturalmente, as pessoas que pior entendem e conhecem a língua mãe têm uma maior propensão para se deixarem enganar. Por isso é importante bem falar a língua materna.

Nem toda a gente faz a sua vida diária na sua língua materna. Por isso destaquei o caso das eleições: a única língua em que a informação chega é na língua desse país, a língua materna. Tomemos por exemplo os emigrantes: na sua vida prática não precisam da língua materna, apesar de o seu conhecimento ter sido importante para aprenderem mais facilmente a língua do país que habitam. Eles trabalham numa outra língua, fazem compras numa outra língua, eles comunicam numa outra língua. Para eles a língua materna não é tão necessária, mas será provavelmente mais importante. Não nos esqueçamos nunca que a língua materna é a língua que começamos por usar, ainda muito pequenos. Por isso, para além de, provavelmente, pensarmos nessa língua, porque foi aquela com que aprendemos a pensar de forma organizada, se formos emigrantes ainda vamos sentir saudades dela, e sentir a necessidade de recordarmos algo do nosso país.

Objectivamente falando, a língua materna, actualmente não é tão importante assim. A globalização fez com que nós tenhamos a liberdade, não de “escolher” a nossa língua materna, mas a de escolher a língua em que queremos viver. Isto objectivamente. Acredito que a língua materna é importante para nos conhecermos melhor, assim como aos nossos ascendentes. Permite-nos conhecer a cultura do povo que edificou o nosso ser, e a quem devemos imensas características da nossa personalidade. Por isso é importante falarmos bem, e bem conhecermos a língua materna: para nos conhecermos melhor e à nossa história, independentemente de vivermos no estrangeiro, ou de vivermos de uma outra língua.

um trabalho para português

2 comentários:

Austeriana disse...

É bem interessante esta reflexão sobre a língua. Uma das experiências angustiantes que tive em tempos de estudante foi exactamente a das saudades da língua materna. Enquanto bolseira,estudei, durante algum tempo, na Escócia. O entusiasmo pelo desconhecido rapidamente esmoreceu. Falo e escrevo fluentemente em inglês. Não se tratou de um problema de comunicação. Foi antes a saudade do nosso som, das nossas palavras, das nossas "matreirices" linguísticas. Em Edimburgo, só um dos colegas falava português do Brasil e não é a mesma coisa.
Daí que perceba o quanto é difícil para os emigrantes entenderem o país onde nasceram, se estiverem longe dele durante muito tempo. Passou-se comigo. Após algumas semanas, damos por nós a pensar numa mistura de 2 línguas e com o passar dos dias já começa a língua estrangeira a dominar a nossa. Muito angustiante.

jP disse...

oh Escócia, país interessante...
mas Portugal é Portugal...

cumps