terça-feira, 20 de outubro de 2009

Saramago e os maus costumes


Desde as polémicas declarações de Saramago que por todo o lado se vêm opiniões diversas sobre o assunto. Só hoje me pus a par do que ele disse com CONTEXTO, e por isso, só hoje posso fazer o devido comentário.

Hoje de manhã deitei um olho ao JN de ontem. fiquei bastante surpreso, pois este tinha "a" entrevista de José Saramago. A mesma entrevista que foi criticada, e criticada, e criticada por muita gente. Desacredite-se aquele que pensa que também eu vou criticar esta entrevista. Mas também não vou elogiar.

Já não é a primeira vez que os media fazem uma tempestade dentro de um copo de água, e enaltecem as palavras polémicas de alguém. lembro-me por exemplo de John Lennon ter dito que não sabia o que duraria mais, se a Igreja Católica se os Beatles, ou seja, fez simplesmente a constatação de um facto. Escusado será dizer que foi brutalmente criticado. Aqui passou-se algo semelhante, apesar de o cariz do discurso de Saramago ser mais ofensivo.

Li algures, talvez num dos blogues que eu costumo seguir, não tenho a certeza de qual (podem procurar numa barra de links lateral) , que a Bíblia era só um livro, e que por isso o ataque de Saramago revelava alguma ignorância. Saramago sabe isso, e logo a abrir a entrevista diz que se "deve ter cuidado com uma leitura literal da Bíblia" e não com a Bíblia em si. É claro que a Bíblia é um livro, e é um livro lindíssimo. Saramago não põe em causa o livro, mas sim o Guia Espiritual ou a "verdade escrita". E eu concordo com isso.

Quanto ao "manual de maus costumes", já é um ponto de vista mais pessoal, e que eu consideraria um pouco arrogante, excessivo e desnecessário. Não acho que fosse um crime o que ele disse, mas acho que deveria ter eufemisado essa expressão, até porque é um escritor, um nobel, e deve saber em que circunstâncias deve ser suave ou duro. Mas ninguém pode pôr em causa a violência e a crueldade do livro. Saramago escolheu o episódio de Caim. Diz que este foi preterido em relação a Abel, referindo-se concretamente ao facto de Deus não ter aceitado o sacrifício de Caim, e por isso ter sido cruel. Sim, realmente pode ser um episódio a estudar, e que pode ser efectivamente um retrato da dureza. No entanto eu considero outro episódio muito mais monstruoso e cruel. Refiro-me ao episódio, em que Deus para libertar o seu povo mata todas as crianças egípcias. Ora, isto pode ser só um livro, mas acho que um livro que mostra um retrato de um Deus cruel, egoísta, que pelo seu povo mata inocentes, que nenhuma culpa têm dos erros dos pais. Por isso compreendo a expressão usada por Saramago.

Independentemente de Saramago ter sido arrongante e violento, não disse nenhuma mentira, nem creio que tenha ofendido ninguém. Também não me parece que queira ofender alguém. Este caso parece ter nascido para gastar folhas de jornais.

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