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domingo, 6 de março de 2011
uma rua. um banco de jardim que parece uma zebra. uma criança que brinca com um hipopótamo apetrechado com uma hélice. um candeeiro que ilumina pouco. uma mulher que brinca com uma roda. um homem que jaz num mar de sangue, submerso pela roda, pela mulher, pela criança, pela escuridão, pela zebra.
quinta-feira, 3 de março de 2011
pertencer ao que não pertence mais ninguém
pertencer é uma das mais básicas condições humanas. uma daquelas necessidades que nos influenciam de tal forma que chegamos mesmo a abdicar das nossas mais profundas crenças. no filme Human Nature de Charlie Kaufman uma das protagonistas abandona a sua natureza selvagem, tornando-se mesmo ajudante de um laboratório, por amor. o amor é essa manifestação máxima da necessidade de determinada pessoa. mas nem sempre precisamos de uma só pessoa. às vezes é respeito, outras reconhecimento, outras carinho, outras simples olhares, mas essa necessidade de contacto é das que mais se manifesta. e arrisco-me a dizer que se manifesta em todos os seres humanos.
para pertencer é necessário abdicar-se da identidade. é um estorvo à comunicação muito grande. opiniões fortes, posições vincadas, pouca tolerância. é isso que faz a identidade e é isso que desfaz as relações interpessoais. noutro filme de Kaufman, Being John Malkovich, vemos como uma personagem assume a identidade de Malko de forma a poder enamorar-se com a mulher por quem estava obcecado. nem todas as as relações humanas precisam de abdicação. mas quando as pessoas são mais duras, mais autênticas, torna-se complicado estabelecer-se um diálogo.
a massa, esse ser enorme do qual nós somos pequenas células, precisa que nós deixemos de ser nós. a existência não faz qualquer tipo de sentido, pelo menos a nossa. pode fazer, se formos nós próprios. mas aí, estamos a destruir-nos, a lançar-nos ao vácuo da velha e miserável solidão.
para pertencer é necessário abdicar-se da identidade. é um estorvo à comunicação muito grande. opiniões fortes, posições vincadas, pouca tolerância. é isso que faz a identidade e é isso que desfaz as relações interpessoais. noutro filme de Kaufman, Being John Malkovich, vemos como uma personagem assume a identidade de Malko de forma a poder enamorar-se com a mulher por quem estava obcecado. nem todas as as relações humanas precisam de abdicação. mas quando as pessoas são mais duras, mais autênticas, torna-se complicado estabelecer-se um diálogo.
a massa, esse ser enorme do qual nós somos pequenas células, precisa que nós deixemos de ser nós. a existência não faz qualquer tipo de sentido, pelo menos a nossa. pode fazer, se formos nós próprios. mas aí, estamos a destruir-nos, a lançar-nos ao vácuo da velha e miserável solidão.
é como quem diz:
Charlie Kaufman,
reflexão,
sociedade,
vida
domingo, 16 de janeiro de 2011
defina eternidade:
eternidade é para sempre. antes de acabar recomeça e é como se tudo fosse tudo desde sempre. e o nada nunca foi mais que uma ilusão, pedaço de algo sem nome. e não me chamas, dás-me a mão com a face triste e nem sempre foi assim, mas eterno prossigo eu, como se não tivessem passado os anos que passaram, como se não fosse já tudo diferente. eu prendo-me às eternidades e fico melancólico. infames eternidades que já são noutro sítio, não aqui. aqui é tudo como parece ser: tédio, carbono e água.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
é insensato tocar com o céu nas mãos
é insensato dizer que estou deprimido ou que tenho qualquer tipo de perturbação mental. é só o tempo que passa e eu não sei que lhe fazer. é só a existência que é vaga, esquizofrénicos de nós que vemos não um reflexo mas vários rostos humanos. é só a solidão da multidão, a solidão do pequeno grupo, a solidão da privacidade, a solidão de se ser humano distinto dos restantes e mais ninguém ver, como nós. é só a virtude que não é de todos, porque não chega um desafio, que multiplica-se logo por todos os seres, vezes vários. é só a carne que apodrece, ou que para não, não deixa apodrecer outras carnes. é só o reflexo de tudo, porque não se bastava ser, ainda há consequências, reflexos, peixes-espada e barbatanas. é só a depressão que se espalha por todos os humanos igualmente miseráveis que têm de viver com o que lhes dão. é só tudo, é só nada, é só uma música,um poema.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
"não vás já! bebe mais um copo"
porquê acabar tão cedo? peca a eternidade de parcimónia? bem-vindos ao passado, ao presente e ao futuro, que estou com insónias e perco-me nos tempos. sempre soubeste os números, e teu nome é o desespero de viver. viver menos que absolutamente, ser livre tão pouco como apenas muito, é pecado, crime, é peso no peito. temos a eternidade para viver, mas também ela passa, ou somos nós que passamos, ou somos passados. não é preciso um sentido, uma razão. tudo ao acaso e tudo como é hoje. bastava um bêbado ter acertado na sanita enquanto mijava e o mundo diferente, completamente.
o mundo é um sonho, uma embriaguez, um acesso de loucura, uma doença do foro psicológico, uma diarreia, uma gripe, uma dor de pés, ai dentes para que vos quero que só me fodeis, e tudo de mau é mundo e vida. também o bom mas esse deixa-o estar que não se escreve, vive-se que só sendo vivido ele é absolutamente. livre, são e sábio. e nós andamos às voltas, sem saber para onde vamos, peças de um jogo que alguém quis jogar, aproveitemos para ver jogar.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
O Post que fala, sem querer falar, da vida e do que ela é, utilizando diferentes conceitos que se unem de uma forma absolutamente inútil

montagem original utilizando imagens do google images, que devem ser de alguém, mas na altura não anotei e agora sei lá
Está na altura de dizer algo sério e a sério. Até vou utilizar maiúscula para atingir tal efeito. É necessário, neste preciso momento, que consiga dizer algo que me transcenda, a fim de não me perder num desses desertos de sei lá o que são, ou vidas, ou chamem-lhe o que quiserem, eu cá sei lá, que já me perdi.
A vida é... Podia cantar a música da série infantil A Vida é... Poderia escrever sobre a vida, em longos traços descritivos, com bonitas metáforas e uma alegoria capaz de fazer qualquer escritor de telenovelas aguar. Não vou dizer nada sobre a vida, que nem sei o que é, se é tudo, se é só o que é considerado parte da Biosfera, se tais e suas vivências. Por vezes descarregamos na vida que, coitada, preferia nunca ter sido criada enquanto conceito.
A transcendência, o eruditismo da linguagem é atingido, não por tão negras e escorregadias lajes orientadores de um qualquer caminho, mas pela exploração de diferentes temas, de preferência de uma forma vaga, informada e completamente aleatória. Como um homenzinho de mapa e bússola na mão, ignorando que é cego. Talvez a transcendência não se atinja, talvez seja ela que nos atinge a nós, como um trovão no meio de uma dança no Carnaval.
Eu que queria falar a sério, não disse nada, nem sequer me aproximei de o fazer. Este é dos posts mais inúteis que já escrevi, demonstrando nada mais que a falta de inspiração ou a falta de vontade de falar sobre o que quer que seja, fenómeno que não se verificava dantes, no antigamente que foi o ano passado e outros anteriores. A inutilidade é a arte de ser. A vida é inútil. E não podia ser mais transcendente
A vida é... Podia cantar a música da série infantil A Vida é... Poderia escrever sobre a vida, em longos traços descritivos, com bonitas metáforas e uma alegoria capaz de fazer qualquer escritor de telenovelas aguar. Não vou dizer nada sobre a vida, que nem sei o que é, se é tudo, se é só o que é considerado parte da Biosfera, se tais e suas vivências. Por vezes descarregamos na vida que, coitada, preferia nunca ter sido criada enquanto conceito.
A transcendência, o eruditismo da linguagem é atingido, não por tão negras e escorregadias lajes orientadores de um qualquer caminho, mas pela exploração de diferentes temas, de preferência de uma forma vaga, informada e completamente aleatória. Como um homenzinho de mapa e bússola na mão, ignorando que é cego. Talvez a transcendência não se atinja, talvez seja ela que nos atinge a nós, como um trovão no meio de uma dança no Carnaval.
Eu que queria falar a sério, não disse nada, nem sequer me aproximei de o fazer. Este é dos posts mais inúteis que já escrevi, demonstrando nada mais que a falta de inspiração ou a falta de vontade de falar sobre o que quer que seja, fenómeno que não se verificava dantes, no antigamente que foi o ano passado e outros anteriores. A inutilidade é a arte de ser. A vida é inútil. E não podia ser mais transcendente
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Esta merda é pessoal
Isto de viver é aborrecido. Ou nem por isso. É mais sacanagem, brincadeira que não cabe a todos. Digo eu. Não diz ninguém. Silêncio filho da mãe. Não sei que tenho contra o silêncio ou contra o que não sucede (talvez não tenha nada), mas neste momento apetece-me acontecer, sei lá, talvez sem querer. Ninguém diz nada, e continuamos perdidos, escondidos, assustados.
Gosto das coisas que acontecem sem querer. Todos esses planos, esses génios filhos do trabalho são um fiasco, uma mera aproximação do homem ao superior. Gosto de fluência, do acaso e do genial. Assim como gosto da miserabilidade que o assombra. Por vezes também gostava de ser um assombrado, um desses poucos, miseráveis maiores. É pura brincadeira, pura sacanagem. Aquilo custa, e não sou homem de custos, sou poupadinho, nos esforços e pagamentos. É cair por acaso, e por acaso cair no céu. Cair eternamente no vazio, no que não nos pertence. Porque nada pertence aos miseráveis: são superiores a tudo, nada prende o suficiente. Eu prefiro ter chão debaixo dos pés.
Pessoalmente as pessoas pensam. Pessoalmente as pessoas são. Pessoalmente as pessoas pessoam, e fazem por pessoar. Não sei se jamais pessoei acompanhado... E também não sei se já pessoei sozinho, enfim... Há pessoas que têm um terrível problema em serem elas próprias. Talvez porque não sejam. Talvez sejam demasiada coisa. Ou simplesmente estejam demasiado ocupadas para serem elas próprias.
terça-feira, 8 de junho de 2010
O sentido da vida: trabalho para filosofia
quadro de René Mgritte, Homesickness
Curiosa realidade a existência. Inexplicável talvez. Por vezes imagino um mundo lógico, e nele apenas uma coisa é patente: o nada. Tudo o que não seja nada é algo complexo e muito pouco lógico, que provavelmente não deveria existir (só o nada pode existir: curiosa e fortuita negação). Curiosa a condição humana, que, por estar condenada a um início e um final, estranha o eterno e o etéreo, não o concebendo de outra forma que não a do nada.
O sentido da vida é bastante claro: a morte. Se a tomarmos por uma estrada e compreendermos que começa no nascimento e termina na morte, vemo-lo claramente. O que há antes e depois da vida? Acredito seriamente que é a inexistência. Acredito seriamente que o sentido da vida é a inexistência. A vida tem como finalidade a inexistência.
Maldita sorte que nos põe no rumo de algo que não desejamos. Nem sempre queremos existir, mas tememos com todas as forças que temos a inexistência. Por isso surgiram os Deuses e as religiões, os livros e a arte: para ouvirmos uma não verdade (que não é necessariamente mentira) e para nos fecharmos num admirável novo mundo. E ainda bem que surgiram.
Tudo depende da perspectiva através da qual vemos o que quer que seja. Eu acho que o facto de o sentido da vida ser a inexistência é extremamente libertador. Como poderemos nós falhar? É impossível em teoria (não digo que o seja na prática porque não é possível provar tal coisa) um ser humano não chegar à inexistência. Isto significa muito simplesmente que ao nascermos já garantimos o objectivo da nossa existência. Que é que isto significa? Liberdade! Podemos ser o que quisermos, não temos de fazer absolutamente nada. Tudo o que temos de fazer é morrer um dia, e isso está-nos à partida garantido! Temos essa liberdade, e a liberdade acaba por ser o nosso sentido de vida: temos de ser livres, o quanto quisermos!
O nosso destino está traçado, mas não o itinerário… E eu vejo nisso a maior bênção de todas: sabemos como é o final, mas o resto está inteiramente por nossa responsabilidade. Temos limitações físicas e psicológicas? Temos, mas temos também imensos espaços vazios em nós que podemos preencher, ou deixar vazios, como muito bem entendermos. Gosto também de pensar na inexistência como a liberdade total, gosto de pensar que a inexistência, pouco mais é que uma existência sem limites, mais etérea, mais perfeita, e que por isso, quando morrermos vamos entrar numa outra dimensão, quando nos desprendermos do corpo, da alma, da mente, de tudo: a dimensão do nada, a dimensão do lógico.
Não tenho medo da inexistência, é ela que nos dá um motivo para existir: sermos livres (temos de estar preparados para quando passarmos a existir sob a forma de nada) para explorarmos todos os mundos possíveis, impossíveis, lógicos ou absurdos. A inexistência que um dia teremos (ou seremos?), dá-nos um motivo para sermos humanos.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Sem sentido?
É curiosa a forma como todos buscamos um sentido. Uns esperam-no. Outros procuram-no. Outros ignoram que o procuram, durante imenso tempo. Duvido que alguém alguma vez o encontre. Como o pote de ouro no fim do arco-íris, os gambozinos, e os bichos no armário, duvido que tal coisa exista. Não acredito que haja sentido, apenas uma busca, que vale por si. Pobres homens que o procuram!
Mas talvez eu esteja enganado. Afinal de contas, a minha sapiência contar-se-ia pelos dedos da mão, se fosse quantificável, e as minhas dúvidas, essas, escassas como areia num deserto. Não vale a pena discorrer, falar, discutir... Isto é algo tão pessoal que até conselhos podem ser considerados como intromissões. A direcção que seguimos é algo importantíssimo, e só a nós nos cabe defini-lo. Se não houver sentido que seja criado um! É o que fazemos... Mas será esse sentido, um verdadeiro sentido? Talvez sim, talvez não... Neste jogo não interessa como, só interessa atravessar a meta. Podemos fazê-lo devagar, depressa, de costas, a saltar ao pé coxinho, ou em contra-mão... O que interessa é atravessar essa linha imaginária. Nesse sentido, não há um sentido para continuarmos, temos de ser nós a criá-lo.
O Sol é um astro que através de reacções nucleares liberta enormes quantidades de radiação de várias frequências e, portanto, várias características diferentes. Ele não sabe porque o faz, nem estou certo que o queira fazer... Como ele temos de seguir. E não será melhor assim? Sem sentido? Sem um motivo para fazer o que quer que seja? Só a nossa vontade está em jogo, e assim vivemos sem sentido, ao sabor do vento, talvez bem melhor do que com falsos sentidos criados num qualquer centro de incubação de filosofias de vida de bolso. Sem sentido. Ao sabor do vento. Só é preocupante quando a vontade escassa, as dúvidas crescem, e o vento não sopra.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O Sentido trágico da vida
"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têem medo da luz."
Platão"O mundo é uma comédia para os que pensam, e uma tragédia para os que sentem."
Horace Walpole
"Morrer é um ato tão natural como nascer - a grande tragédia é viver."
Francisco de Bastos Cordeiro
"A tragédia da velhice não é ser idoso, mas jovem."
Oscar Wilde
O conceito de tragédia não é exacto ou universal. É pessoal, muito pessoal. Notem-se as diferentes interpretações de tragédia. Para mim, antes de ir parar ao Wikiquote enquanto fazia um trabalho sobre a Tragédia Clássica, era simplesmente algo muito mau. Algo demasiado mau. Esse é talvez o único elemento comum a todas as interpretações individuais de tragédia.
A vida é muitas vezes comparada, justamente, a uma estrada. Penso que essa comparação é merecida, no sentido em que é ela é a nossa linha de viagem até algo. Eu gostaria de realçar a frequência com que esse sentido aponta a tragédia, apesar de a verdadeira tragédia ser tão diferente de homem para homem. Não direi que a vida ruma sempre numa direcção trágica, mas é inegável que caminha nessa direcção com muita frequência.
Mas o que e tragédia para mim? Pode não o ser para mais ninguém... Temos medo que as tragédias nos aconteçam, temos particular medo que A tragédia nos aconteça. E é sempre essa a que tem mais tendência para acontecer. Pelo menos acho que sim. É o medo... ("Quem sabe o medo é minha cruz..."Manel Cruz ) Tenho particularmente medo de ter medo... Parece que quando se tem medo as coisas acontecem mais facilmente. (parece...). Por isso tenho muito medo de muita coisa. Por isso acho que a vida tem um sentido trágico. Afinal de contas, quem não tem os seus medos? Mas isto tudo, é só o que eu penso. É só, mas às vezes parece que tanto.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Mais à larga
Às vezes é preciso espaço... Viver numa caixa apertada não é agradável... Parar e ver as pessoas falar, ouvir o que elas dizem não é importante: são palavras que saem. Raiva, amor, ódio, indiferença, ar, vento... Todas iguais, todas insignificantes no seu valor. O que interessa são elas. Não sejamos racistas, não interessa a sua cor. Como pessoas, só interessa que o sejam, neste caso, palavras.
Descobri que sou Existencialista. Já era há muito tempo fortemente existencialista, mas só ontem parei para aprender um pouco. Sou um Existencialista sem sombra de dúvida. Algumas diferenças no máximo fazem-me um Neo-Existencialista. Para quem, como eu não conhecia, não sabe o que é, é caracterizado pela expressão de Satre "O ser humano está condenado a ser livre."
Se sou livre ou não não sei. Mas já sinto uma aragem.
Descobri que sou Existencialista. Já era há muito tempo fortemente existencialista, mas só ontem parei para aprender um pouco. Sou um Existencialista sem sombra de dúvida. Algumas diferenças no máximo fazem-me um Neo-Existencialista. Para quem, como eu não conhecia, não sabe o que é, é caracterizado pela expressão de Satre "O ser humano está condenado a ser livre."
Se sou livre ou não não sei. Mas já sinto uma aragem.
é como quem diz:
desabafo,
existência,
Existencialismo,
Filosofia,
vida
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Com defeito
Tem um dente torto? Meta um aparelho. Tem um rasgo, por mais pequeno que seja, na camisola? Cosa-a. Tem o cabelo despenteado? Penteie-o. etc. Parece que hoje tudo tem de estar perfeito. Se calhar já era assim antes, mas antes não vivi, ou não me lembro.
O ser humano deve caminhar no sentido da perfeição, tem de querer ser melhor do que é, mas não demasiado. A raça e o indivíduo. Todos os homens. Eu tenho de fazer isso não sei bem porquê, mas tenho. Chamem-me conformista, chamem-me incoerente, mas eu acho que uma pessoa não tem de se melhorar constantemente. Acho que isso é uma decisão nossa, de cada um dos seres individualmente. Posso até me querer melhorar, e melhoro (tento pelo menos), mas não quero que me obriguem a fazê-lo. Em coisas mais importantes para mim, como alma, capacidade intelectual e da mente, faço-o, em coisas que não são muito importantes para mim, por mais que me peçam, tento não fazer.
A única hipótese que nós temos de nos tornarmos perfeitos, é eliminar os defeitos. A perfeição, tal como é entendida e conhecida por grande parte de nós, é algo idílico, inatingível, para outros é o equilíbrio, de onde se destaca o equilíbrio da vida. Eu encaixo-me no segundo grupo. Por isso acho que a coisa perfeição é aquela que tem vários defeitos (por vezes muitos mesmos), para funcionar na plenitude como deve. Aliás, que piada tem algo sem defeito? Por isso me declaro com defeito.
domingo, 1 de novembro de 2009
vida
a vida é bela. não é nada bela, é cruel; só alguém muito ingénuo, que não sabe com que palavras se escreve a vida é que diria uma coisa dessas. a vida é bela. a vida é triste e cruel, repleta de morte, sangue e destruição. a vida é bela. a vida é morte: só com a morte de uns outros podem sobreviver. a vida é morte. a morte é triste. a vida é triste. meu deus, como é a tristeza tão bela! como são a morte, o sangue e a destruição tão belos! a vida é bela.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Projectos de Vida
Não grande fã de projectos. Acho que as coisas devem acontecer naturalmente, por força e vontade própria. Normalmente quando as pessoas tentam projectar demasiado, ficam presas a uma rota, que pode não ser a melhor, e a uma vida que pode não ser a que querem. Por isso sou contra projectos de vida... Posso projectar muita coisa, mas se ela não funcionar, não há grande mal... Imaginemos que a nossa vida não funciona... não é algo que se perde! somos nós! Por isso sou contra os projectos de vida, para além de os projectos normalmente serem atrasados... Já viram o quão grave seria atrasarmos a nossa vida...
Será com certeza importante projectar obras de vários estilos, desde de obras urbanas, a obras poéticas. Talvez, sim. Para obras mais coesas. Mas eu, que tenho medo de projectar demasiado a minha vida, tinha 1 projecto no início das férias, e agora tenho milhares... E duvido da materialização de qualquer um deles. Acho que os projectos são só uma desculpa subconsciente que arranjamos para desculparmos a nossa incapacidade de inovar, e de tomar a iniciativa... Pelo menos no meu caso, que é bem peculiarzinho...
Bem, vou projectar! :)
Será com certeza importante projectar obras de vários estilos, desde de obras urbanas, a obras poéticas. Talvez, sim. Para obras mais coesas. Mas eu, que tenho medo de projectar demasiado a minha vida, tinha 1 projecto no início das férias, e agora tenho milhares... E duvido da materialização de qualquer um deles. Acho que os projectos são só uma desculpa subconsciente que arranjamos para desculparmos a nossa incapacidade de inovar, e de tomar a iniciativa... Pelo menos no meu caso, que é bem peculiarzinho...
Bem, vou projectar! :)
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A vida pesa
A vida pesa. E pesa muito. A vida é como um saco que temos de carregar. Convém não enchermos demasiado a vida, porque pode arrebentar, e aí, toda ela vai ficar espalhada pelo chão de calçada, enquanto o Sol brilha sobre nós. As pessoas vão passar por nós, todas com os seus sacos, uns mais carregados outros mais leves. A maioria vai passar ao lado ignorando a vida espalhada pelo chão, mas alguns importar-se-ão. Perguntam se podem ajudar, ou dão somente uma palavra de incentivo, porque muita gente tem a sua vida demasiada carregada. Lá metemos a vida à pressa no saco, (ou o saco na vida?) e rumamos a casa, onde esvaziamos um pouco a vida. Um pouco, ou muito, por vezes esvaziamo-la completamente, guardando a vida em gavetas e armários.
A vida pesa. E só vivemos se sentirmos esse peso. Muito vivem leves, sem nada porque se preocupar, sem nada em que se pensar: há muito deixaram a vida fugir, enquanto estava vazia. Não se pense que o facto da vida pesar é mau... É mau e é bom. Assim como quando enchemos o saco das compras... Haverá coisas más, mas também haverá algumas, ou muitas boas. A vida pesa, e nem toda a gente é obrigada a suportar esse peso. O mal é que o peso não vem só de coisas más... Toda esta maravilhosa vida pesa... Quem não suportar as cargas negativas, também não suporta todo este milagre.
A vida pesa. E só vivemos se sentirmos esse peso. Muito vivem leves, sem nada porque se preocupar, sem nada em que se pensar: há muito deixaram a vida fugir, enquanto estava vazia. Não se pense que o facto da vida pesar é mau... É mau e é bom. Assim como quando enchemos o saco das compras... Haverá coisas más, mas também haverá algumas, ou muitas boas. A vida pesa, e nem toda a gente é obrigada a suportar esse peso. O mal é que o peso não vem só de coisas más... Toda esta maravilhosa vida pesa... Quem não suportar as cargas negativas, também não suporta todo este milagre.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Dans une Autre Vie Miserable
Criei este blog porque me apeteceu! Esta é, talvez, a única justificação para isso.
Estava eu no café, a ver algumas páginas online, quando me deparei a escolher o nome do blog. Aí fiquei algo confuso. O que faço eu aqui?? Questionei-me. Estive quase para voltar atrás quando disse "Não". "Vou criar este blog e vou escrever aqui com alguma frequência". Porquê? Porque não há nenhum motivo lógico para isso... O que me agrada.
A fase mais complicada para mim foi, sem dúvida, a escolha do nome. Surgiu-me "Nothingman" em honra dos Pearl Jam. Já existia. "Pig"man em honra dos Pink Floyd. Já Existia. "Road Trippin'" em honra dos RHCP. Já existia. Lembrei-me então de um mundo musical tão rico como este em que navegava: a música portuguesa. Dirigi-me naturalmente em direcção ao "Foge foge Bandido" e assim escolhi o título deste blog.
Fiz uma pequena alteração de "Dans une autre vie miserable" (numa outra vida miserável) para "Uma outra vida miserável". Isto porque toda a gente leva uma vida miserável à sua própria, e a minha, sendo aquela que melhor conheço é, naturalmente, a mais miserável de todas.
Convido-vos por isso a visitar esta outra vida miserável!
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